Queijo de amêndoas (feito com resíduo)

by Monica Hering

Quando me perguntaram há quanto tempo estou em isolamento aqui no meio do mato, tive que parar por um momento e fazer contas… Já são cinco meses! Com toda certeza, dá pra sentir que faz tempo. É comum perder a noção do dia da semana, do dia do mês… Só não perdi (ainda) a noção de que mês e ano estamos!

A Filomena (a doguínea que adotamos já no meio da pandemia) já cresceu e está quase do tamanho do Bento. Tá certo que ela já deu mostras de que vai ficar maior. Ele – que agora já é adulto – eu consigo carregar no colo como um bebezão. Os dois estão se dando bem, correm juntos pelo gramado, compartilham algumas coisas e se estranham feio por outras (como o meu colo). Ela tem um temperamento completamente oposto ao dele: é atirada e meio doidinha… Perco a conta de quantas vezes por dia tenho que sair procurando onde ela foi se enfiar. Ele sempre foi tranquilão e desde cedo muito companheiro, adora ficar dando voltas na casa, um perfeito cão de guarda.

Me vejo observando esses catiorinhos aproveitando a liberdade de ir e vir pelo espaço que temos aqui. Apesar de saber o privilégio que é estarmos num lugar como esse e não confinados em um apartamento, estou sentindo falta de algumas coisas… Ver a filhota com mais frequência com certeza é uma delas. Ter amigos para conversar ao vivo e em cores, ir à feira, sair para comer fora, entrar em uma livraria para folhear os livros (e não comprar versões digitais pela internet)…

Andei me sentindo como num filme de volta ao passado e fazendo algumas coisas que as avós faziam em casa. Assim como pão toda semana (e em algumas semanas, mais de uma vez dependendo do tamanho do pão!). Vinagre de maçã e de abacaxi com cascas e miolos já encheram alguns (bons) vidros de uma prateleira embaixo da pia da cozinha. Os fermentados já ocupam metade da geladeira, e toda vez que temos oportunidade, presenteamos e mandamos vidros. A louça secando no jirau na porta da cozinha e a roupa quarando na grama já fazem parte do meu cenário. Andei sonhando com um lindo cesto de vime para ir até a horta fazer minha colheita de todo dia, mas a realidade tem sido uma bacia de plástico. O importante é que não tem faltado o que colher; ando orgulhosa da minha disciplina em manter mudas sempre preparadas!

As minhas poucas saídas do isolamento foram para manter a vida de paciente oncológica em dia: exames, consultas, hospital… Talvez um dos meus poucos vínculos fortes com a vida lá fora. Foram saídas tão rápidas onde as únicas pessoas de quem matei as saudades foram meus médicos e a equipe de enfermagem! Acho que o que ajudou a manter a cabeça organizada foi muita meditação e ioga.

Dizem que fazer uma pausa como esta é bom e até necessário. Enquanto ouço muito sobre repensar, revisar e corrigir a rota, me sinto transbordando! O que mais fiz nos últimos dois anos foi esperar pacientemente o momento de realizar meus sonhos, projetos, ideias… Tive tanto tempo durante sessões de quimioterapia e radioterapia, salas de espera no hospital e naquelas tardes acompanhada de efeitos colaterais. Fui preparada para o isolamento, para ter paciência e muita resiliência; mas não contava com uma pandemia justo no momento mais aguardado para levantar qualquer tipo de voo… (até mesmo naqueles que a gente precisa de um avião!).

Queijo de amêndoas (feito com resíduo)

Passamos um inverno bem caprichado, com direito a todo o frio que 1000 metros de altitude proporcionam. Tenho que reconhecer que meu termostato ainda insiste no “modo Maranhão” e acabo congelando com qualquer temperatura abaixo de 10 graus. E por aqui tivemos temperaturas próximas a zero… A nossa salamandra funcionou bastante (era uma catação e tanto de galhos secos caminhando todos os dias!). Vinho também frequentou nossas noites de frio, e agradeço estarmos tão próximos de uma região que produz bons rótulos locais e aos produtores que mantiveram canais de venda e entrega bem acessíveis.

Para acompanhar tudo isso, também tivemos bastante queijo vegetal caseiro. A receita do queijo de amêndoas feita com o resíduo do leite vegetal não foi uma descoberta recente. Fazia muito esse tipo de queijo quando morávamos em São Luís e até tinha esquecido do sabor. Organizando meus arquivos enquanto estou aqui no sítio, encontrei esta receita. Com tanto leite feito em casa e tanto resíduo – além de muito biscoito e bolo – eu tinha que ter mais alternativas para não perder nadinha.

Queijo de amêndoas (feito com resíduo)

Queijo de amêndoa (com resíduo do leite)

Ingredientes

  • 1 xícara de resíduo do leite vegetal de amêndoa
  • Suco de 1 limão
  • 1 dente de alho espremido (ou alho em pó)
  • 1 colher (sopa) de azeite de oliva
  • Sal e pimenta do reino
  • 1 colher (chá) de ervas frescas ou desidratadas
  • ½ colher (chá) de levedura nutricional (opcional)
  • Água filtrada suficiente para agregar
  • Zaatar ou grãos de pimenta rosa para envolver

Modo de fazer

  • Misturar todos os ingredientes (exceto o zaatar ou pimenta rosa) até formar uma massa homogênea, mas ainda cremosa.
  • Colocar em uma tigelinha, cobrir e levar à geladeira até firmar.
  • Moldar pequenas bolas, achatar e passar em uma tigelinha com zaatar ou pimenta rosa esmigalhada. Virar até envolver por todos os lados.
Queijo de amêndoas (feito com resíduo)

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3 comentários

Edilene+Barbosa 17 de outubro de 2020 - 21:57

Que ideia genial,e parece delicioso. Vinagre de maçã já fiz e gostei muito,mas de abacaxi é novidade pra mim,especialmente porque eu venho de uma família produtora dessa deliciosa fruta,vou tentar fazer,será que posso usar o mesmo método? Grande abraço!

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eva kampi 1 de setembro de 2020 - 23:10

Que vida boa! Aproveite bastante e vamos em frente, agradecendo a Deus pelas bençãos .
pergunta: como faz vinagre de maçã? Fica com Deus, Eva

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Monica Hering 2 de setembro de 2020 - 14:32

Olá Eva! Obrigada pelo carinho! Vou fazer um passo a passo do vinagre de maçã para postar… Só preciso de um tempinho!

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